A Associação de Praças da Polícia e Bombeiro Militar da Bahia (APPMBA) divulgou uma nota de repúdio nesta terça-feira (1º) em defesa dos policiais militares envolvidos em uma ocorrência que terminou com a prisão do ex-prefeito e candidato a deputado estadual Thiancle Araújo (PSD), durante um ato de campanha em Alagoinhas. Na manifestação, a entidade afirma repudiar o que classifica como tentativas de “desqualificar, constranger e transformar em espetáculo político” a atuação dos policiais do 4º Batalhão da Polícia Militar. Para a APPMBA, os agentes estavam no exercício da função constitucional de proteger a sociedade, preservar a ordem pública e fiscalizar o cumprimento da lei.
A associação também rebateu a utilização da condição de advogado e candidato como argumento para questionar a abordagem. Segundo a entidade, policiais não escolhem quem devem abordar com base na profissão, cargo ocupado ou pretensão eleitoral da pessoa.
“Ser advogado não é salvo-conduto. Ser candidato também não”, afirma a nota. A APPMBA sustenta ainda que prerrogativas profissionais não devem ser confundidas com privilégios pessoais. Conforme a entidade, segundo as informações disponíveis, o episódio aconteceu durante um ato de campanha, e não no exercício profissional da advocacia. Por isso, na avaliação da associação, a condição de advogado não tornaria automaticamente a abordagem ilegal nem impediria a atuação dos policiais.
A entidade também criticou manifestações de incentivo ao chamado “grau” em vias públicas. Para a APPMBA, a defesa da criação de espaços adequados para práticas esportivas é legítima, mas não deve ser confundida com a romantização ou incentivo a manobras consideradas perigosas em ruas e avenidas.
Na nota, a associação afirma que uma prática realizada de forma irregular pode colocar em risco motociclistas, pedestres, motoristas e outros usuários das vias. “Não existe ‘cultura’ que torne um acidente menos grave. Não existe discurso político que devolva uma vida perdida”, diz o documento.
A APPMBA reforçou que a Polícia Militar tem o dever de atuar na preservação da ordem pública e diante de situações que possam representar risco à coletividade ou infrações à legislação. A entidade defendeu que os policiais sejam respeitados durante o exercício da função, independentemente da influência política, profissão ou visibilidade pública da pessoa abordada.
A associação também destacou que eventuais excessos cometidos por qualquer uma das partes devem ser investigados pelas instâncias competentes, com garantia do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Ao mesmo tempo, criticou a exposição antecipada dos policiais e possíveis tentativas de desmoralização da instituição antes da conclusão das apurações.
“A tropa precisa ter segurança para trabalhar”, afirmou a entidade, que encerrou a manifestação reafirmando a defesa da legalidade, do respeito às instituições, das prerrogativas profissionais e da dignidade dos policiais e bombeiros militares. A nota termina com a frase: “Ninguém está acima da lei”.
Relembre o caso:
A manifestação ocorreu após o ex-prefeito e candidato a deputado estadual Thiancle Araújo (PSD) afirmar que foi vítima de abuso de autoridade e agressões físicas durante uma motociata realizada no último domingo (30), em Alagoinhas.
Segundo o relato divulgado pela campanha, o evento reuniu mais de 150 motociclistas. A equipe de Thiancle afirma que o ato fazia parte da agenda oficial de campanha e havia sido comunicado previamente ao comando da Polícia Militar.
Ainda conforme o candidato, o desentendimento teria começado por causa de um equipamento de som do tipo “paredão”, que, segundo ele, havia sido contratado e estaria sendo utilizado dentro das normas eleitorais.
Thiancle, que também é advogado, afirmou que tentou conversar com os policiais, mas teria sido retirado à força da motocicleta e agredido física e verbalmente. Ele também declarou que sua identificação não teria sido solicitada antes da abordagem.
O candidato foi conduzido à delegacia. Ele afirmou ainda que pretende adotar medidas judiciais e pediu que o Comando-Geral da Polícia Militar investigue o episódio. Fonte: Alô Juca